Ainda não é desta que teremos o Primeiro Tratado Global de Plásticos

As mais de 100 nações envolvidas não chegaram a consenso e voltaram a adiar um acordo

Microplásticos identificados em base de dados global e de livre acesso

Ainda não é desta que teremos o primeiro Tratado Global de Plásticos, promovido pela ONU. A quinta ronda de negociações, realizada na Coreia do Sul, no final de novembro de 2024, deveria ser a última e trazer, por fim, um documento juridicamente vinculativo. Mas as mais de 100 nações envolvidas não chegaram a consenso e voltaram a adiar um acordo. 

“Embora tenhamos visto pontos de convergência em muitas áreas, as posições continuam a ser divergentes noutras”, disse Luis Vayas Valdivieso, presidente do Comité Intergovernamental de Negociação das Nações Unidas (INC-5), no final dos trabalhos, propondo que a reunião fosse suspensa e retomada dentro de alguns meses.

O maior entrave à chegada de um consenso parte dos países produtores de produtos petroquímicos, como a Arábia Saudita, que se opõe aos esforços para reduzir a produção de plástico, utilizando tácticas processuais para atrasar as negociações deste Tratado. 

Em cima da mesa estava um acordo, proposto pelo Panamá, que procurava um caminho para reduzir a produção de plástico. Mas estes países defendiam uma proposta sem limites de produção.  

“Um tratado que se baseia apenas em medidas voluntárias não seria aceitável”, defendeu, durante o plenário, Juliet Kabera, diretora-geral da Autoridade de Gestão Ambiental do Ruanda. “É altura de levarmos isto a sério e negociarmos um tratado que seja adequado ao objetivo e não construído para falhar”.

Tratado implicaria “repensar tudo ao longo da cadeia” de valor

A Direção-Geral do Ambiente da Comissão Europeia mostrou-se desiludida com o resultado do INC-5. Como afirmou o conselheiro para as negociações internacionais deste organismo, Hugo Schally, “não obtivemos o que queríamos”: “um tratado que traga mudanças concretas para a natureza e o ambiente marinho e para todas as pessoas em todo o mundo”. 

Em comunicado, o responsável explica que, este tratado seria essencial, “para além da gestão dos resíduos e de uma participação justa do setor privado através do alargamento da responsabilidade dos produtores”. 

Este Tratado implicaria “repensar tudo ao longo da cadeia, do polímero à poluição, do produto à embalagem”, como afirmou a diretora executiva do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Inger Andersen. 

“Precisamos usar menos materiais virgens, menos plástico e nenhum produto químico prejudicial. Precisamos garantir que usamos, reutilizamos e reciclamos os recursos de maneira mais eficiente. Descartar com segurança o que sobra. E usar essas negociações para aprimorar um instrumento afiado e incisivo para construir um futuro melhor, livre da poluição plástica”, disse a responsável durante a última ronda de negociações, realizada há um ano e onde foi discutido um primeiro rascunho para o Tratado. 

A iniciativa deste tratado, promovido pela ONU visa permitir a redução da poluição de plástico em cerca 80% até 2040. 

Anualmente, são produzidas 430 milhões de toneladas de plásticos em todo o mundo e o valor continua a aumentar, sendo que menos de 10% dos resíduos de plástico são reciclados, segundo valores do PNUMA. Estima-se ainda que mais de 14 milhões de toneladas por ano acabam nos oceanos.

A próxima reunião deverá acontecer no primeiro semestre do próximo ano.

Artigos recentes

Comentários

    Comments are closed

    Todos os meses, mais informação, menos plástico: subscreva a nossa newsletter
    Por favor, desative o adblock para poder subscrever à newsletter.
    © Copyright 2024 Modelo Continente Hipermercados, S.A. Todos os direitos reservados.

    Este site já não se encontra activo.

    Este site existiu anteriormente, mas fechou por decisão do cliente. Está agora disponível apenas para fins de portfólio.

    Por favor, ignore quaisquer formulários ou informações de contacto.

    O acesso é limitado apenas a quem tiver o link.
    This website previously existed but client’s decision to take it offline. It is now available solely for portfolio purposes.

    Please disregard any forms or contact information, as they are no longer active.

    Access is limited to those with the link.
    Visitar site atual